October 20th 2018

O caminho da democracia é longo e sinuoso. Muitas vezes como o nosso caminho escolar, e profissional, com seus altos e baixos. Uma jovem democracia viverá momentos de insegurança, terá de lidar com pessoas que querem abala-la, desestabiliza-la, e terá de encontrar seu próprio caminho para uma vida estável e próspera.

O povo brasileiro carrega hoje, em seus braços fortes, um adolescente. Não um bebê, nem um adulto. Um adolescente, que já viu desse mundo, mas não se consolidou. Um adolescente em crise, mas que sabemos que vem crescendo. De quem ainda mais se fala do potencial que de seus feitos.

Esse jovem aprontou na escola. O seu antigo professor esta na cadeia. Ele foi responsável da formação de seu aluno, mas depois desapontou. Está preso. Ainda existem pessoas ligadas a esse professor na escola. Temos razão enquanto povo de duvidar da qualidade da instituição. Mas há também outras pessoas, ligadas ou não a esse professor encarcerado, que só esperam poder ajudar esse jovem a crescer. Um até usa uma camisa igual.

Muitos pensam hoje tirar o adolescente da escola. Coloca-lo num colégio interno das antigas. Essa parece para eles uma opção sensata. É aquele colégio, onde se aprende na base da porrada. Onde o objetivo não é educar, mas manter o aluno sentado. O professor não ensina. Manda. É aquela educação primitiva que não tem noção das ultimas décadas de evolução em pedagogia. Mas é a solução mais fácil de entender. Não aprende por bem, vai aprender por mal.

Os ensinos das duas escolas são, porém, incompatíveis. A segunda não colocará o aluno de volta no aprendizado primeira, da democracia.

A escola da democracia não é perfeita. Mas nela temos a oportunidade de escolher os professores, sempre com o objetivo de continuar formando nosso jovem, para que se consolide. Temos a oportunidade de, mesmo se erramos, não deixar o ensino de lado. Temos a oportunidade de aperfeiçoá-lo nós mesmos, pais e mães. Temos de continuar vigiando os professores e assistentes. E as contas da escola.

Esse caminho da democracia é mesmo o mais difícil. A porrada é mais simples de comunicar. Mas não é o que o nosso jovem precisa, nem a longo, nem a curto prazo.

Considerem também o seguinte. A razão de deixar o professor da primeira escola na cadeia, é a mesma de não querer colocar o jovem no colégio interno: consolidar o ensino da democracia. Mostrar ao jovem que podemos seguir esse caminho, pois a escola já tem mecanismos para se corrigir, e que nos vamos fazer o nosso possível para implementar os mecanismos faltantes.

E não esqueçam. Tem uma floresta na cidade onde vão os alunos da escola, os professores, e todos os outros pais e mães. Essa floresta é essencial a continuação da vida na cidade, e também fora dela. Temos muito pouco tempo para, juntos, proteger essa floresta. Se colocarmos nosso adolescente em crise no colégio interno, o professor falou: “vou queimar a floresta”. Ele não acha que devemos proteger a floresta. Portanto não entende as consequências de queimá-la. No colégio interno quem manda é ele.

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